Transportar carga acima do limite máximo de capacidade costuma ser uma “opção” muito atraente para empresas de transporte em geral — e é fácil entender o porquê. É comum associar o excesso de carga com uma economia generalizada nos custos da operação, afinal, o caminhoneiro pode transportar mais produtos até o seu destino de uma só vez. 

No entanto, esse é um daqueles casos em que o barato definitivamente sai mais caro, e os riscos não são só financeiros, mas também de vida.  Continue lendo para descobrir como o excesso de carga pode afetar negativamente o seu trabalho e até mesmo se transformar em um risco sério para sua vida.

Excesso de carga = poucas vantagens

Excesso de carga não só é ilegal como também gera diversas consequências preocupantes para a empresa de transportes, o caminhoneiro e para a sociedade como um todo.

O problema mais óbvio também é o mais simples de se resolver: a provável multa de trânsito. Só que esse é apenas o começo.

O excesso de peso também compromete a habilidade do motorista no trânsito, danifica o caminhão permanentemente, aumenta o risco de tombamento, promove o desgaste das rodovias e até mesmo agride o meio ambiente! 

Perigo de multa

O excesso de peso é considerado uma infração média no Código Brasileiro de Trânsito (CTB).

Existe uma resolução que determina uma tolerância para, no máximo, 5% do limite do peso total. Ao ultrapassar esse limite a punição resulta em uma multa no valor de R$ 130,16 e na “retenção do veículo para transbordo da carga excedente”. Ou seja, o caminhão só pode seguir em frente após deixar a carga para trás (ou buscá-la de forma alternativa).

Adicionalmente, o motorista recebe quatro pontos na carteira de motorista. Ele também pode encarar uma multa ainda maior, dependendo da quantidade de carga excedente. 

Basicamente, a cada 200 kg adicionais de peso acima do permitido, a multa aumenta de forma progressiva. 

Péssimo para a saúde do veículo

Embora o caminhão seja construído especificamente para o transporte de cargas grandes e pesadas, até ele possui o seu limite. 

Ao trafegar com excesso de carga, o motorista pede muito mais força do seu veículo, tanto na hora de engatar e vencer a inércia quanto durante toda a jornada até o destino.

O que pode comprometer peças-chave de sua estrutura, como os pneus, a transmissão, os freios, o chassi, os engates e até mesmo o implemento. 

Naturalmente, os pneus, juntos com a transmissão e os freios, são os que mais sofrem com o deslocamento de cargas pesadas, gerando um rápido desgaste e acabando com sua vida útil. 

Os freios, inclusive, possuem uma queda de eficiência perceptível durante as viagens, passando por um superaquecimento que reduz sua eficiência e aumenta o tempo de frenagem — o que cria o ambiente ideal para tombamentos e/ou acidentes. 

O desgaste progressivo dessas peças promove a eventual deterioração total do veículo, diminuindo sua eficácia e vida útil.

Além disso, mesmo enquanto o caminhão segue na estrada, graças à necessidade constante de trocas de peças e revisões, o custo geral de sua manutenção aumenta muito. Sem falar no tempo em que o veículo precisa ficar ocioso devido aos consertos.

Um risco à integridade física do motorista

Infelizmente, a profissão do caminhoneiro é uma das mais perigosas do país e apresenta um alto índice de mortalidade.

Dirigir por várias horas a fio em meio ao isolamento total das estradas brasileiras parece ser perigoso o suficiente, mas, acredite, o excesso de carga pode afetar bastante a questão da segurança no trânsito.

Em geral, o trânsito necessita atenção constante e respostas rápidas a eventuais situações de risco. E aqui um dos principais problemas do excesso de peso é ele próprio, e o que ele causa diretamente, claro: a perda de controle do veículo. Um caminhão mais pesado, naturalmente também é mais lento. 

Isso sem falar dos problemas estruturais discutidos no tópico acima, como questões na integridade dos freios, pneus e outras peças de suma importância.

A sobrecarga ainda “ajuda” um dos maiores problemas do trânsito em geral, em relação tanto à vida dos motoristas quanto à operação geral da empresa de transportes: o tombamento.

Um veículo muito grande e pesado — se estiver ainda mais pesado do que o normal — facilita o tombamento em curvas fechadas, estradas muito avariadas ou situações climáticas difíceis (como a chuva forte).  

Adicionalmente, vale lembrar que em caso de acidentes, se o excesso de peso for constatado em perícia, o caminhoneiro perde o direito à indenização da seguradora e precisa arcar com todos os custos. 

Excesso de carga também é excessivo para o meio ambiente

Além de todas as complicações citadas acima, o excesso de carga ainda contribui diretamente para a poluição do ar e a depreciação das nossas estradas. Logo, gerando consequências reais para toda a população brasileira. 

O peso maior força uma rotação mais alta do motor, o que aumenta o consumo e, consequentemente, a queima de combustível e a emissão de gases poluentes. 

Além disso, quanto mais pesada a carga, maior o impacto em possíveis buracos, rachaduras e desníveis já existentes nas rodovias. O que cria um círculo vicioso no qual o trânsito só fica cada vez pior e mais difícil de lidar. 

Como você pode ver, o excesso de carga é um problema real que, embora pareça vantajoso à primeira vista, acaba trazendo nada além de perigos, contas e desgosto. 

Se você quiser ficar realmente expert na estrada e ficar preparado para todas as eventuais dificuldades que possam surgir, confira o nosso e-book: Principais Problemas Que Você Pode Enfrentar Na Estrada e Como Resolvê-los. E, é claro, dirija sempre com cuidado e atenção!

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