O Brasil tem uma história muito rica quando se pensa na evolução dos automóveis, em especial os caminhões, que sempre foram fundamentais para a logística nacional. A evolução no setor de transportes, sem dúvidas, acompanhou o desenvolvimento da economia.

Por isso, se quisermos conhecer melhor nosso país, precisamos conhecer a história dos caminhões! A Fábrica Nacional de Motores foi pioneira em diversos aspectos, é parte importante da história dos caminhões brasileiros e faz parte da rotina de vários colecionadores.

Vamos conhecer um pouco mais sobre os caminhões Fenemê?

A Fábrica Nacional de Motores (Fenemê)

A Fábrica Nacional de Motores (FNM), também conhecida popularmente como Fenemê, foi a primeira fábrica de caminhões do Brasil. Criada na década de 1940, durante o governo de Getúlio Vargas, a FNM revolucionou a história do automobilismo brasileiro.

Inicialmente, a empresa estatal brasileira foi concebida para produzir motores aeronáuticos, sendo considerada uma estratégia que levou em consideração o contexto da 2ª Guerra Mundial. Em 1946, a FNM lançou o primeiro avião motor.

Entretanto, a guerra já havia terminado e os EUA já se mostrava como grande dominante do setor. No contexto, também havia grande instabilidade política devido à deposição de Getúlio, e, acompanhando o fim da Era Vargas, reduziu-se intensamente o apelo à industrialização do Brasil.

O presidente que assumiu em seguida, Eurico Gaspar Dutra, ordenou a suspensão da produção de motores. Foi então que, naquele momento, resolveu-se direcionar a produção da fábrica para peças para máquinas industriais a eletrodomésticos, tais como geladeiras, compressores, bicicletas, entre outros.

A partir de 1949, a Fenemê ampliou a sua atuação e se tornou mais conhecida pela fabricação de caminhões e automóveis. Com isso,  FNM se firmou como a primeira linha de montagem de caminhões brasileira.

Antes deles, todos os caminhões que circulavam pelas ruas e estradas do país vinham de outros países, como é o caso da Inglaterra.

Numa das primeiras privatizações do país, em 1968, durante o regime militar, a FNM foi privatizada e passou a ser controlada pela italiana Alfa Romeo. Com isso, em 1972, dois novos modelos foram lançados, o FNM 180 e 210.

Em 1973, a FIAT comprou 43% das ações da Alfa Romeo e em 1976, a Fiat assumiu total controle acionário da empresa italiana e continuou produzindo os FNM 180 e 210. Em 1979, substituiu os modelos anteriores pelo Fiat 190.

Em 1985, já administrada pela Iveco, empresa italiana pertencente ao grupo Fiat, a FNM encerrou suas atividades no Brasil devido à queda nas vendas de caminhões.

Atualmente, a estrutura da Fábrica foi tombada pelo Patrimônio Histórico Nacional!

Os caminhões Fenemê

O primeiro modelo a ser lançado foi o D-7.300. Tinha motor a diesel e capacidade de 7,5 toneladas de carga. Foram fabricadas apenas cerca de 200 unidades. Após esse importante marco, aconteceu uma grande mudança: a FNM passou a ter, como fornecedora, a imponente Alfa Romeo.

A tecnologia italiana permitiu que, em 1951, fosse lançado o modelo D-9.500, caminhões conhecidos também como Alfa Romeo. Os caminhões foram chamados de FNM-Alfa Romeo D-9.500, possuíam motor de 130 CV e capacidade de carga de 8,1 toneladas. Além dos gigantes sobre rodas, também foram produzidos chassis para ônibus, sob licença da marca italiana.

Esse modelo foi rapidamente aceito no mercado, pois possuía algumas vantagens como possuir uma cabine leito espaçosa, contando com duas camas, e também por sua estrutura ser forte e imponente.

O modelo D-11.000, lançado em seguida, em 1958, também era equipado com o motor Alfa Romeo. Era um modelo de caminhão pesado, com motor a diesel de seis cilindros e potência de 150 CV.

Em 1960, como comemoração à criação de Brasília, a Fenemê lançou o primeiro automóvel da sua linha, nomeado FNM JK.

Em 1972, a Fábrica Nacional de Motores lançou os caminhões FNM 180 e 210, com 180 CV e 215 CV, respectivamente.

Curiosidade: o câmbio dos Fenemê

O câmbio dos Fenemê é uma atração à parte: é feito por duas alavancas! Por isso, muitas vezes é necessário que o motorista tire as duas mãos do volante para fazer a troca de marchas.

Muitos se aventuram com manobras diferentes, utilizando os cotovelos ou outra parte do corpo para fazer a mudança de marchas. Existem vários vídeos no Youtube mostrando essas pérolas!

Ter duas alavancas no câmbio faz com que os Fenemês tenham quatro marchas, mas, no fim das contas, possuam 8 faixas de velocidade: uma alavanca se move para cima e para baixo, e a outra possui quatro posições possíveis.

O livro “FNM – A força brasileira nas estradas”

Os caminhões Fenemê se tornaram lendários nas estradas e também na memória de todos os que viveram aquela época. Por essa razão, os caminhões da Fábrica Nacional de Motores (FNM) tiveram sua história contada no livro “FNM – A força brasileira nas estradas”.

Publicado pela Editora Alaúde e escrito pelos autores Rogério de Simone e Evandro dos Santos Fullin, o livro tem design vintage e várias fotografias, atuais e da época.

A obra tem 96 páginas, possui informações técnicas e fotos dos icônicos caminhões Fenemê. Além disso, apresenta detalhes sobre modelos mais recentes, tais como os FNM 180 e FNM 210, produzidos depois da aquisição da fábrica pela Alfa Romeu. Conta também sobre a evolução dos modelos desenvolvidos pela Fiat e Iveco, que assumiram o controle da marca com a privatização.

Nesse post aqui, contamos também a história de 4 modelos de caminhões que marcaram a história do Brasil! Se você gostou de conhecer melhor sobre a história dos caminhões Fenemê, provavelmente gostará desse conteúdo!

Já nesse post aqui, fizemos uma viagem no tempo pela história secreta dos caminhões brasileiros. Vale conferir!

A história dos Fenemê é um grande patrimônio para o nosso país e merece ser passada para frente. Não deixe essa importante memória morrer, compartilhe com seus amigos caminhoneiros!

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